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Nasci e cresci em uma família matriarcal, guiada por três mulheres pretas: minha mãe, minha tia e minha avó. Com elas aprendi que força, amor e resiliência não eram escolhas, eram o caminho.

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Minha infância foi dividida entre o quilombo familiar, onde eu era acolhida e amada, e o centro da cidade, onde me tornei “a única”: a única menina negra, filha de mãe solo, bolsista em uma escola católica nos anos 80. Ali, senti o peso do racismo silencioso e dá sensação de não pertencimento.

Ainda jovem, sonhei em ser psicóloga, mas não via mulheres negras em lugares de poder. As vozes de dúvida foram mais altas e esse sonho foi guardado. A vida me levou por casamentos, maternidade e relações em que muitas vezes eu fui anulada. Vivi abusos psicológicos, mudei de cidade acreditando em um conto de fadas que virou pesadelo, voltei julgada e recomecei como mãe solo com dois filhos, trabalhando no que fosse preciso para garantir o básico.

Por cinco anos, por necessidade, vivi longe dos meus filhos durante a semana para sustentá-los. Morava em outra cidade, trabalhava sem parar e voltava para vê-los nos fins de semana, muitas vezes sem dinheiro para me alimentar direito.

Foi um dos capítulos mais duros da minha história, e também um dos maiores testes da minha força.

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Empreender chegou pela beleza e pelo cuidado. Aos 19 anos, abri meu primeiro salão de beleza, sem perceber que ali nascia a semente da minha missão: gerar autoestima e potência em mulheres pretas. Anos depois, em Gramado, na Serra Gaúcha, uma cidade majoritariamente branca, comecei do zero com meu marido: viramos sacoleiros, comprando roupas em pequenos lotes e vendendo em estacionamentos de mercados, hotéis e restaurantes.

Enquanto tudo isso acontecia, a dança sempre esteve presente. Dançar foi, e ainda é, meu jeito de curar, celebrar e lembrar que meu corpo e minha história não são só dor, são também liberdade, alegria e presença.

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Não era só venda, era acolhimento, escuta e confiança.

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Nessa caminhada nasceu a loja no centro da cidade. Tornei-me a primeira mulher preta com uma loja no coração de Gramado. Ver meu nome na fachada foi histórico, um marco de representatividade. Mas, apesar da coragem, eu não entendia de gestão. Não sabia cuidar de fluxo de caixa, finanças e planejamento. Resultado: depois de dois anos fali com a loja. Fechar as portas depois de sete anos foi um luto profundo, que me levou a rever quem eu era e o que eu realmente queria construir.

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Empreender chegou pela beleza e pelo cuidado. Aos 19 anos, abri meu primeiro salão de beleza, sem perceber que ali nascia a semente da minha missão: gerar autoestima e potência em mulheres pretas. Anos depois, em Gramado, na Serra Gaúcha, uma cidade majoritariamente branca, comecei do zero com meu marido: viramos sacoleiros, comprando roupas em pequenos lotes e vendendo em estacionamentos de mercados, hotéis e restaurantes.

Enquanto tudo isso acontecia, a dança sempre esteve presente. Dançar foi, e ainda é, meu jeito de curar, celebrar e lembrar que meu corpo e minha história não são só dor, são também liberdade, alegria e presença.

Não era só venda, era acolhimento, escuta e confiança.

Nessa caminhada nasceu a loja no centro da cidade. Tornei-me a primeira mulher preta com uma loja no coração de Gramado. Ver meu nome na fachada foi histórico, um marco de representatividade. Mas, apesar da coragem, eu não entendia de gestão. Não sabia cuidar de fluxo de caixa, finanças e planejamento. Resultado: depois de dois anos fali com a loja. Fechar as portas depois de sete anos foi um luto profundo, que me levou a rever quem eu era e o que eu realmente queria construir.

Na pandemia, decidi aparecer nas redes sociais. Achei que só família e vizinhos veriam, mas outras mulheres pretas começaram a se reconhecer na minha história. No mesmo período, o assassinato de George Floyd escancarou o racismo estrutural que sempre atravessou a minha trajetória. Busquei referências de mulheres pretas líderes, empreendedoras e inovadoras, e encontrei na ancestralidade um lugar de pertencimento e poder.

Em 10 de dezembro de 2020, nasceu o Digitais Pretas. O que começou como um movimento para me fortalecer virou comunidade e, hoje, um ecossistema de fortalecimento de mulheres pretas. Minha história pessoal se transformou em ferramenta de cura, consciência e ação coletiva.

Hoje sou estrategista de posicionamento e liderança feminina com identidade, mentora, palestrante e escritora. Uso minha trajetória, dos quilombos à Serra Gaúcha, dos estacionamentos de mercado à loja no centro, da falência à reconstrução, como prova viva de que é possível recomeçar e liderar a própria história.

Minha missão é potencializar mulheres para que se enxerguem como líderes, construam autoestima sólida, posicionamento claro e prosperidade real, juntas, sem caminhar sozinhas.

Potência Preta Vende, e eu sou a prova viva disso!

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